
Alguma vez ouviste do pulmão do planeta, referindo-se à Amazônia ou outras áreas verdes do planeta. Essas áreas são chamadas de pulmões, referindo-se à capacidade de absorver CO2 do planeta e assim contribuir para um ambiente mais limpo e saudável para todos os seres vivos.
Um dos pulmões deste planeta está localizado em a região do Atlântico em torno do Trópico de Câncer. Este pulmão é uma área oceânica que libera o planeta de grande parte das emissões de CO2 causadas pelo homem. Parou de funcionar na primavera de 2010?
O pulmão do atlântico
Os oceanos podem alcançar absorvem grandes quantidades de CO2 que emitimos em nossas atividades industriais e retirá-lo do ciclo, afundando-o nos sedimentos. Existe um balanço global de carbono no qual, quando há muito carbono na atmosfera, ele tende a se dissolver na água do oceano. Qual é o problema com esse fenômeno? Quando muito CO2 é incorporado nos oceanos, provoca a acidificação destes e, consequentemente, inúmeros impactos negativos na flora e fauna marinhas, impactando a biodiversidade, o que também tem sido abordado diferenças entre mudança climática e aquecimento global. O caso mais conhecido é o do branqueamento dos recifes de coral, um fenómeno intimamente relacionado com o impacto da aquecimento global.
Pois bem, os estudos realizados sobre a absorção de CO2 pelos oceanos estimam que sejam capazes de absorver entre 40 e 50% de todo o dióxido de carbono emitido pelas atividades humanas desde a revolução industrial. Esse motor que ajuda a livrar o planeta de tanto CO2 também tem um equilíbrio frágil que depende, em grande parte, das temperaturas globais.

Há estudos que alertam que há meio século que esses pulmões marinhos que nos liberam desses gases de efeito estufa e reduzem os graves efeitos e consequências no clima estão perdendo força. A revista Relatórios Científicos, do grupo Nature, publicou em 30 de janeiro de 2017 um estudo que alerta sobre até que ponto o aumento das temperaturas induzido por fenômenos tanto naturais quanto humanos pode fazer com que os oceanos deixem de purificar a atmosfera e passem a carregá-la com ainda mais gases de efeito estufa. Esta mudança também está relacionada com partículas atmosféricas naturais que afetam o clima global.
O que aconteceu na primavera de 2010?
Devido ao aumento das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, as temperaturas globais não param de aumentar ano após ano. Esta região do Atlântico denominada pulmão marinho desempenha um papel fundamental: a corrente equatorial norte e a passagem das Canárias, dois dos elementos do giro oceânico que regula o clima da região.
Porém, na primavera de 2010 esse pulmão parou de funcionar devido ao grande aumento das temperaturas devido às consequências deixadas pelo intenso fenômeno da El Nino em 2009. Quando não funcionou na primavera de 2010, deixou de absorver cerca de 420 milhões de toneladas de CO2, ou seja, 30% das emissões totais de gases de efeito estufa. Isso também reflete a importância de entender o contexto dos oceanos.
Na primavera de 2010, os efeitos do El Niño e da Oscilação do Atlântico em várias décadas fizeram com que a temperatura da superfície do oceano naquela área sobe 3,4 graus acima do normal e a velocidade do vento mudou, o que perturbou dois dos mecanismos que regulam a absorção de CO2, como o que também afeta as consequências do aquecimento global.
Em decorrência desse fenômeno, o mecanismo do pulmão oceânico colapsou temporariamente, impossibilitando-o de absorver as 29 milhões de toneladas de CO2 entre fevereiro e maio. Também deve ser mencionado que na primavera de 2010 1,6 milhão de toneladas de gases de efeito estufa foram emitidos para a atmosfera.
Regiões onde ocorreram grandes mudanças
As mudanças mais notáveis concentraram-se na região da corrente equatorial norte. Nessa área, o oceano emitiu para a atmosfera naqueles meses cerca de 1,2 milhão de toneladas de CO2, quando o normal é que absorva 22,4 milhões.
A tendência de aumento das temperaturas globais está aquecendo as águas superficiais dos oceanos. Isso causa o aumento da intensidade e frequência de eventos climáticos extremos. Isso pode ameaçar a capacidade do pulmão de reduzir os efeitos do CO2 e absorvê-lo, um problema que está relacionado a consumo de ar condicionado no futuro.

