Mobilidade sustentável: principais aspetos, tipos, exemplos e políticas em Espanha.

  • A mobilidade sustentável prioriza caminhadas, ciclismo e transporte público, reduzindo o impacto ambiental e melhorando a qualidade de vida.
  • A Espanha está avançando com leis, auxílio ao transporte público, eletrificação e reforço da mobilidade de pedestres e ciclistas.
  • Cidades como Vitória, Madrid, Barcelona, ​​Copenhague ou Amsterdã mostram que um modelo urbano menos dependente de carros é possível.
  • A combinação de políticas públicas, planejamento urbano, tributação verde e mudanças nos hábitos diários é essencial para consolidar esse modelo.

mobilidade sustentável

A mobilidade sustentável tornou-se um elemento fundamental. Imaginar cidades e territórios onde a mobilidade não seja um privilégio, mas um direito real de todos. Não se trata apenas de trocar de carro ou instalar estações de carregamento em todos os lugares: envolve repensar como nos deslocamos, quanto espaço cada meio de transporte ocupa e qual o impacto que isso tem na nossa saúde, no ar que respiramos e no clima.

Na prática, isso significa optar por um modelo de mobilidade sustentável. Isso significa priorizar caminhadas, ciclismo e transporte público, reduzir a dependência de veículos particulares e garantir que todos, independentemente de onde moram ou de sua renda, possam se locomover com segurança, a preços acessíveis e com conforto. Partindo dessa base, leis, planos, auxílio financeiro, infraestrutura e mudanças culturais estão sendo implementados, já em andamento na Espanha e em muitas cidades ao redor do mundo.

O que é, de fato, mobilidade sustentável?

conceito de mobilidade sustentável

Quando falamos de mobilidade sustentável, estamos nos referindo ao conjunto de viagens. de pessoas e mercadorias transportadas em um tempo e custo razoáveis, minimizando os impactos ambientais negativos e melhorando a qualidade de vida. Em outras palavras, não basta simplesmente ir do ponto A ao ponto B: importa como chegamos lá, quanta energia usamos, que espaço ocupamos e quais consequências sociais e ambientais são geradas.

Na Espanha, o conceito foi refinado juridicamente. por meio de diversas leis regionais e nacionais. A Catalunha foi pioneira em 2003 ao definir mobilidade que atenda às necessidades de deslocamento em condições razoáveis ​​de tempo e custo, minimizando os impactos negativos sobre o meio ambiente e a qualidade de vida. As Ilhas Baleares replicaram essa ideia em 2014, incorporando-a em suas regulamentações sobre transporte terrestre e mobilidade sustentável.

A Andaluzia deu mais um passo em frente com o seu Plano Andaluz de Mobilidade Sustentável.A mobilidade sustentável, entendida como o conjunto de processos e ações que permitem a movimentação de pessoas e mercadorias com o menor impacto ambiental possível, concentra-se no combate às mudanças climáticas, na economia e eficiência energética, bem como na redução da poluição sonora e atmosférica.

Castela e Leão enriqueceram a definição ao destacar a mobilidade sustentável. como instrumento de planejamento que reduz a poluição do ar e sonora, diminui as emissões de gases de efeito estufa e o consumo de energia, e atende às necessidades dos cidadãos, promovendo os meios de transporte menos custosos social, econômica e energeticamente e sua intermodalidade.

Astúrias, por sua vez, reformulou a mensagem num tom mais positivo.Ao priorizar a mobilidade que, além de minimizar o impacto ambiental negativo, contribui ativamente para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, buscamos ir além de simplesmente "causar menos danos". Nosso objetivo é gerar benefícios tangíveis em saúde, bem-estar e habitabilidade dos espaços urbanos e rurais.

O País Basco também ampliou seu foco. Em seu Projeto de Lei de Mobilidade Sustentável, o governo vincula diretamente as viagens às suas consequências sociais e ambientais. Isso reconhece que a forma como nos deslocamos influencia a coesão social, a equidade territorial, o acesso a oportunidades e a proteção ambiental.

A nível estadual, a Lei da Economia Sustentável já introduziu a ideia. Promove a mobilidade sustentável e segura em termos económicos e ambientais, associada a projetos que permitam uma redução real das emissões e de outros danos ecológicos. Reconhece também o direito dos cidadãos ao acesso a bens e serviços em condições de mobilidade adequadas, acessíveis e seguras, com o menor impacto ambiental e social possível.

Todo esse quadro regulatório culmina no Projeto de Lei de Mobilidade Sustentável. Aprovada pelo Congresso em 2025, esta lei reconhece o direito de todas as pessoas a usufruir de um sistema de mobilidade sustentável e justo. Ela se baseia em quatro pilares principais: o direito social à mobilidade, medidas para uma mobilidade saudável e sustentável, inovação e digitalização, e rigor na tomada de decisões públicas.

Mobilidade urbana sustentável: o papel das cidades

mobilidade urbana sustentável

A mobilidade urbana sustentável centra-se na forma como nos deslocamos dentro das cidades. Para dar acesso a bens, serviços e conexões sociais sem aumentar o consumo de recursos ou agravar os problemas ambientais e sociais. Prioriza o uso eficiente do espaço e da energia, mantendo a cidade vibrante e acessível a todos.

Essa abordagem promove claramente a mobilidade ativa.Ou seja, caminhar e andar de bicicleta, inclusive para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Esses são meios de transporte universais com baixíssimo impacto ambiental e enormes benefícios para a saúde física e mental.

Juntamente com a mobilidade ativa, o transporte público de massa é o outro grande pilar. de mobilidade urbana sustentável. Trens suburbanos, metrô, bondes, ônibus urbanos e sistemas BRT (Bus Rapid Transit), trens leves ou trens-bonde formam a espinha dorsal de um sistema de transporte capaz de deslocar muitas pessoas, ocupando pouco espaço e utilizando menos energia por pessoa.

A mobilidade urbana sustentável também defende opções intermediárias. tais como a partilha de carros ou o aluguer de carros por minuto (carsharing, motosharing, scooters, etc.), desde que estejam bem integrados na rede de transportes, não substituam deslocações que já poderiam ser feitas a pé, de bicicleta ou de transportes públicos, e sejam regulamentados de forma a evitar a concorrência desleal com os transportes públicos.

Por trás dessa mudança, está a crítica ao modelo baseado no carro particular. que dominou a segunda metade do século XX, associada a sérios problemas de qualidade do ar, consumo excessivo de combustíveis fósseis, congestionamento crônico e efeitos negativos na saúde. A dependência do petróleo e a degradação ambiental impulsionaram uma nova visão de cidade sustentável, na qual o uso de recursos não renováveis ​​não excede sua taxa de regeneração e as emissões são mantidas dentro da capacidade do meio ambiente de assimilá-las.

Políticas de mobilidade urbana sustentável exigem coordenação entre transportes e planejamento urbano.: planejar o uso da terra, aplicar o arquitetura e designEssa abordagem visa organizar o uso do solo, restringir o uso indiscriminado de veículos particulares, fortalecer sistemas de transporte público eficientes e promover a adoção de energias renováveis. Com o tempo, esse foco urbano também se estendeu às redes ferroviárias interurbanas movidas a energia limpa e a outros modais de transporte de baixo carbono para longas distâncias.

Em última análise, a mobilidade sustentável está integrada a um sistema global de sustentabilidade. Busca garantir o acesso seguro, saudável e ambientalmente justo a bens e serviços urbanos. Seus objetivos incluem oferecer alternativas reais ao uso do carro, promover o transporte não motorizado e criar redes de transporte público que operem de forma eficiente, confiável e atrativa para a maioria da população.

Objetivos-chave da mobilidade sustentável

Os objetivos da mobilidade sustentável abrangem dimensões ambientais, sociais, econômicas e de saúde pública.Não se trata apenas de reduzir as emissões, mas de transformar a forma como entendemos o direito de ir e vir e de ocupar o espaço público.

Um dos pilares fundamentais é priorizar a mobilidade ativa.Caminhar, andar de bicicleta ou usar dispositivos de assistência para pessoas com mobilidade reduzida são todas opções. Esse tipo de transporte está no topo da chamada "pirâmide da mobilidade" porque é universal, barato, saudável e praticamente neutro em carbono.

Outro objetivo importante é melhorar a qualidade de vida. Ao criar espaços públicos mais agradáveis, seguros e acessíveis, com menos ruído, menos trânsito de passagem e ar mais limpo, reduzimos os acidentes, especialmente os que envolvem pedestres e ciclistas, uma prioridade absoluta em qualquer estratégia séria de mobilidade sustentável.

A inclusão social também é um componente essencial.Um sistema de mobilidade sustentável garante que todos, independentemente de idade, renda, gênero, condição física ou local de residência, tenham acesso a meios de transporte eficientes. Possuir um carro não deve ser um requisito para a plena participação na vida econômica e social.

Do ponto de vista ambiental, a redução das emissões é um objetivo inegociável.O objetivo é reduzir a poluição atmosférica local (NOx, material particulado, ozono troposférico, etc.) e as emissões de CO₂ para conter as alterações climáticas, através da gestão de eventos como o Fase 1 da contingência ambientalIsso envolve a adoção de tecnologias limpas, a eletrificação de grande parte do transporte e a redução direta do número de quilômetros percorridos por veículos a combustão.

A eficiência energética completa o quadro.A ideia é transportar mais pessoas e mais mercadorias com menos energia, priorizando modais de alta ocupação, sistemas de transporte compartilhado e frotas energeticamente eficientes. A mobilidade compartilhada bem organizada, por exemplo, permite reduzir o número de veículos nas ruas e otimizar seu uso.

Tipos de mobilidade sustentável e hierarquia de modos

A mobilidade sustentável assume nuances diferentes em ambientes urbanos e rurais.mas geralmente é organizada em uma hierarquia de modalidades que prioriza aquelas com menor impacto e maior benefício social.

No topo dessa hierarquia está a mobilidade ativa.Esta categoria inclui todas as viagens feitas a pé ou de bicicleta, bem como as feitas por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida que utilizam dispositivos de auxílio. É o meio de transporte mais universal, consome menos recursos e proporciona os maiores benefícios para a saúde e a coesão do espaço público.

Num segundo nível encontra-se o transporte público coletivo.Ônibus, trens, trens suburbanos, bondes e outros sistemas de transporte guiado de baixa emissão desempenham um papel fundamental na redução do número de veículos particulares, no alívio do congestionamento do trânsito e na redução das emissões. Quando essas redes são bem projetadas e coordenadas, tornam-se a espinha dorsal da mobilidade diária.

Abaixo disso, encontramos alta mobilidade de ocupação. Em veículos particulares, como o compartilhamento de carros ou motos, onde carros ou motocicletas são alugados sem motorista por curtos períodos, e o compartilhamento de carros, onde várias pessoas compartilham um carro para uma viagem em comum, esses serviços permitem uma redução no número total de veículos necessários e melhoram a eficiência por quilômetro percorrido.

O último degrau é ocupado pelo veículo particular para uso individual.Num esquema de mobilidade sustentável, a sua utilização é relegada a casos em que não existam alternativas viáveis, sendo promovido que, quando utilizada, seja preferencialmente com tecnologias de baixas emissões (elétricas, híbridas plug-in, etc.) e com critérios de utilização racional do espaço público.

Por que vale a pena investir em um modelo de mobilidade sustentável?

A adesão a um modelo de mobilidade sustentável oferece vantagens muito específicas. Isso beneficia os indivíduos, as cidades e o planeta. Não é uma moda passageira, mas uma forma diferente de compreender o dia a dia e melhorar a qualidade de vida.

O transporte público, por exemplo, oferece benefícios claros.Em muitos casos, reduz o tempo total de viagem em comparação com dirigir na hora do rush, economiza dinheiro (combustível, manutenção, estacionamento, pedágios), melhora a segurança e facilita o acesso para idosos, jovens ou pessoas com deficiência. Além disso, reduz significativamente as emissões por pessoa que viaja.

Utilizar trens suburbanos, metrôs, ônibus ou bondes também ajuda a reduzir o estresse.Evitar engarrafamentos, não ter que procurar estacionamento e poder usar o trajeto para ler, se informar, trabalhar no celular ou simplesmente desconectar e conversar, melhora muito a experiência do deslocamento diário. Ao mesmo tempo, os sistemas de transporte público têm taxas de acidentes muito menores do que os veículos particulares.

Viajar a pé ou de bicicleta multiplica os benefícios para a saúde.Não emite gases poluentes e, por ser uma atividade física moderada, porém constante, reduz o risco de doenças associadas ao sedentarismo (obesidade, problemas cardiovasculares, diabetes tipo 2) e melhora a saúde mental, ajudando-nos a lidar melhor com o estresse e a nos conectar com o meio ambiente.

Num contexto de aumento dos preços dos combustíveisA mobilidade sustentável também é uma resposta econômica sensata. Compartilhar carros, usar mais o transporte público, andar de bicicleta ou a pé reduz as despesas mensais com deslocamento e protege as famílias vulneráveis ​​da volatilidade dos preços da gasolina e do diesel.

O que está sendo feito na Espanha para promover a mobilidade sustentável?

Nos últimos anos, a Espanha implementou um amplo pacote de medidas. da Administração Geral do Estado e das comunidades autônomas, com o objetivo de avançar rumo a um sistema de mobilidade mais limpo, seguro e inclusivo.

Uma das linhas prioritárias é o reforço do transporte público. por meio da modernização da infraestrutura ferroviária e de ônibus, da renovação das frotas com veículos mais eficientes e menos poluentes e da digitalização dos serviços. Parte desse investimento foi financiada pelos fundos europeus NextGenerationEU, vinculados ao Plano de Recuperação.

Também foi aprovada uma ajuda direta significativa para o transporte público.Viagens gratuitas nos serviços suburbanos e de média distância da Renfe, e em certas linhas de ônibus interurbanas estatais, descontos de pelo menos 50% em passes de múltiplas viagens para muitos sistemas urbanos, transporte público gratuito nas Ilhas Canárias e Baleares, ou a campanha Verão Jovem, com descontos significativos para pessoas de 18 a 30 anos em viagens de trem ou ônibus na Espanha e na Europa.

O Projeto de Lei de Mobilidade Sustentável foi concebido como a principal legislação sobre o tema. que exige este novo modelo. Ele inclui soluções inovadoras como o transporte sob demanda em áreas rurais, a regulamentação do compartilhamento de carros, a estrutura básica para veículos autônomos e um conjunto de disposições para garantir o direito social à mobilidade, promover a digitalização, assegurar que as decisões sejam baseadas em dados e fomentar uma mobilidade mais saudável e com menores emissões.

Ao mesmo tempo, caminhadas e ciclismo estão sendo incentivados.A Estratégia de Mobilidade Sustentável, Segura e Conectada promove a criação de ambientes acessíveis, confortáveis ​​e seguros para pedestres, enquanto a Estratégia Estadual para Bicicletas, aprovada em 2021, inclui auxílio a municípios e comunidades autônomas para construir e melhorar a infraestrutura cicloviária, bem como para promover serviços públicos de bicicletas.

Para facilitar o projeto dessas infraestruturas cicloviáriasEm 2023, foi publicado um manual técnico com recomendações para o planejamento e projeto de ciclovias, que busca padronizar critérios e elevar o nível de segurança e conforto das ciclovias e redes cicloviárias.

Outra área importante é a eletrificação da frota de veículos.Foram criados incentivos fiscais e subsídios para a compra de veículos elétricos e híbridos plug-in, tanto para particulares como para empresas, e está a ser implementada uma rede cada vez mais extensa de pontos de carregamento rápido e semirrápido em todo o território.

Na área de tarifas, estão sendo explorados modelos de assinatura integrados. que simplificam o uso do transporte público. Um exemplo é o Passe Único para a rede estadual, uma tarifa fixa que permite viagens por 30 dias em trens suburbanos, trens regionais, ônibus de média distância e inter-regionais pertencentes ao Estado, com preços diferenciados para adultos e para crianças e jovens até 26 anos. Esse tipo de solução facilita a mudança modal do carro para o transporte público.

Exemplos de boas práticas em mobilidade sustentável

Para além do quadro legal e das estratégias nacionaisExistem cidades que se tornaram referências em mobilidade sustentável graças a projetos muito específicos e visíveis ao público.

Vitoria-Gasteiz destaca-se a nível nacional pelo seu forte compromisso com a mobilidade pedonal e ciclística.Seu plano de mobilidade urbana, baseado em um planejamento cuidadoso e no conceito de "superquadras", reorganiza o tráfego para acalmar as ruas residenciais, reduzir a presença de carros e reservar mais espaço para pedestres, bicicletas e transporte público.

Madri promoveu mudanças regulatórias e de gestão de tráfego. por meio de sua Portaria de Mobilidade Sustentável e projetos para restringir veículos poluentes no centro da cidade. Essas zonas de baixa emissão visam combater a poluição e o congestionamento, apoiadas por melhorias progressivas no transporte público e na rede cicloviária.

Barcelona vem transformando seu modelo urbano há anos. Com a implementação de superquadras, a criação de corredores verdes e a recuperação de praças para uso público, essa estratégia prioriza a mobilidade ativa, reduz o congestionamento de tráfego em muitas ruas e gera novos espaços de encontro que melhoram a saúde e a vida social do bairro.

Internacionalmente, Copenhague se consolidou como uma das capitais mundiais do ciclismo. Graças a uma extensa rede de ciclovias protegidas, estacionamento seguro e políticas que desencorajam o uso de carros no centro da cidade, uma grande proporção dos deslocamentos diários agora são feitos de bicicleta, com benefícios claros em termos de emissões, saúde e qualidade urbana.

Amsterdã possui um sistema de transporte público muito eficiente. Com infraestrutura cicloviária exemplar e medidas firmes para a gestão de estacionamento e tráfego motorizado, essa combinação permitiu que bicicletas e transporte público dominassem grande parte da mobilidade diária.

Paris adotou o conceito de "cidade de 15 minutos".onde as pessoas podem encontrar a maioria dos serviços essenciais (trabalho, compras, educação, lazer, saúde) a uma curta distância de suas casas. Essa abordagem incentiva o deslocamento ativo, reduz a necessidade de longos trajetos diários e repensa a distribuição de serviços e comodidades na cidade.

Ferramentas e políticas para avançar rumo a uma mobilidade mais sustentável.

Alcançar a mobilidade urbana e territorial sustentável exige uma ampla gama de políticas públicas. abrangendo desde o planejamento urbano até a tributação, incluindo gestão de tráfego, financiamento de transportes e governança institucional.

Em primeiro lugar, o planejamento urbano deve priorizar a mobilidade sustentável.Projetar cidades compactas com uma mistura de usos e serviços próximos reduz os deslocamentos e facilita o deslocamento a pé ou de bicicleta para muitas pessoas. O caso de Vitória e seu plano de mobilidade é frequentemente citado como um exemplo de uma abordagem abrangente que combina planejamento urbano e reconfiguração da rede viária.

A tributação também pode ser um fator decisivo.É crucial estabelecer incentivos fiscais para modos de transporte mais sustentáveis ​​(transporte público, ciclismo, caronas e compartilhamento de carros), limitando, ao mesmo tempo, os subsídios implícitos aos combustíveis fósseis. Da mesma forma, os subsídios para a compra de veículos elétricos ou híbridos, incluindo bicicletas elétricas, ajudam a acelerar a transição tecnológica.

Outra ferramenta é a reforma dos modelos tarifários do transporte público.Os passes de transporte com tarifa fixa mensal, trimestral ou anual incentivam o uso intensivo do transporte público, oferecendo previsibilidade e economia. O objetivo é que a maioria das viagens seja feita com esses passes, mesmo em nível regional, integrando diferentes operadoras e modais de transporte em um único bilhete.

No setor interurbano, está sendo considerada uma mudança nas prioridades de investimento.Dado que a Espanha já possui uma das mais extensas redes rodoviárias de alta capacidade da Europa, muitos especialistas defendem que os novos investimentos devem concentrar-se na melhoria dos comboios suburbanos, dos serviços regionais, das ferrovias de bitola estreita, das faixas exclusivas para ônibus e dos sistemas de transporte rápido por ônibus para as cidades, em vez de continuar a expandir as autoestradas.

Nas cidades, a gestão e a moderação do tráfego são fundamentais.Reduzir os limites de velocidade (por exemplo, de 50 para 30 km/h em muitas ruas), implementar medidas físicas para fazer cumprir esses limites e desviar o tráfego de passagem para as vias principais ajuda a reduzir acidentes, diminuir o ruído e tornar a caminhada e o ciclismo mais atrativos.

Propõe-se também avançar na eletrificação dos transportes públicos urbanos.Isso é conseguido através da construção de novas linhas de bonde onde for viável e da substituição gradual dos ônibus com motor a combustão por frotas híbridas ou totalmente elétricas. Isso reduz as emissões de poluentes locais e melhora significativamente o conforto acústico nas ruas.

No âmbito regulatório, considera-se necessária uma lei estatal básica sobre mobilidade. que estabeleça um quadro homogêneo, defina o financiamento do transporte público, coordene responsabilidades entre as administrações e estabeleça metas claras para a redução de emissões e a melhoria da acessibilidade. Sem um sistema de financiamento estável, o crescimento do transporte público exigido pela transição energética torna-se difícil de sustentar, sendo necessárias respostas integradas com propostas como as seguintes: nova lei sobre mudanças climáticas.

A mobilidade sustentável também envolve a revisão dos incentivos ao transporte aéreo.Uma das propostas recorrentes é equiparar progressivamente a tributação do combustível de aviação à dos combustíveis rodoviários, de modo que o preço reflita melhor o seu impacto ambiental e se evitem distorções competitivas com o transporte ferroviário, especialmente em distâncias onde o trem de alta velocidade seja uma alternativa viável.

Em relação à governança, estão sendo exigidas mudanças institucionais profundas.Por exemplo, transformar os ministérios tradicionais de obras públicas focados em infraestrutura em ministérios de mobilidade e transporte, ou mesmo de transporte e energia, que integrem planejamento de demanda, gestão de energia e projeto de redes de transporte.

Outra linha de trabalho é a promoção do compartilhamento de carros.É crucial regulamentar de forma clara as plataformas e redes sociais que conectam pessoas para compartilhar viagens e despesas. A chave é garantir transparência, eficiência energética e evitar a concorrência desleal com táxis ou serviços de transporte público. No caso de veículos particulares, onde os custos variáveis ​​são simplesmente compartilhados, não há remuneração para o motorista e, portanto, não é considerado um serviço profissional.

Por fim, as estratégias para a mobilidade urbana sustentável devem ser baseadas no conhecimento.Dispor de dados confiáveis, sistemas de análise avançados e mecanismos de participação cidadã é essencial. Somente assim será possível elaborar estruturas regulatórias adequadas, infraestrutura para modos de transporte não motorizados, sistemas de gestão de tráfego e modelos de financiamento de longo prazo.

Mobilidade sustentável na vida cotidiana e na dimensão social.

A nível individual, cada pessoa pode contribuir para a mobilidade sustentável com ações muito específicas. Em seu dia a dia, mudar alguns hábitos de deslocamento costuma ser mais fácil do que parece e, além disso, geralmente traz benefícios diretos para o seu bolso e para a sua saúde.

Utilize o transporte público para deslocamentos regulares. Ir para o trabalho, estudar ou fazer compras é uma das decisões mais eficientes. Ônibus, metrô e trens evitam congestionamentos, reduzem a necessidade de procurar estacionamento e, muitas vezes, são mais rápidos do que carros em áreas com tráfego intenso.

A bicicleta é outra grande aliada, especialmente em cidades com um número crescente de ciclovias.É leve, rápida em curtas e médias distâncias, fácil de estacionar e, se você não tiver a sua própria, existem cada vez mais sistemas públicos de compartilhamento de bicicletas. Além disso, andar de bicicleta incorpora naturalmente atividade física à sua rotina diária.

A partilha de carros é uma alternativa quando um veículo é essencial.A coordenação com vizinhos, colegas de trabalho ou o uso de aplicativos específicos podem reduzir o número de carros na rua e dividir as despesas. Se você for dirigir, é recomendável usar técnicas de direção eficientes (manter velocidades constantes, evitar acelerações e frenagens bruscas e usar o ar-condicionado com moderação) para diminuir o consumo de combustível.

Caminhar é provavelmente a forma mais simples e eficaz de mobilidade sustentável.Caminhar para o trabalho, se for perto, para as lojas ou para a academia não só não polui, como também melhora a saúde cardiovascular, fortalece os músculos e os ossos e ajuda a clarear a mente. Além disso, torna as ruas mais animadas e seguras, com mais pessoas utilizando os espaços públicos.

A mobilidade sustentável também possui um aspecto social muito importante.Organizações como a Cruz Vermelha, em colaboração com empresas privadas, lançaram iniciativas para apoiar pessoas que enfrentam dificuldades econômicas e sociais na área da mobilidade. Entre outras medidas, oferecem preços mais acessíveis em determinados serviços e produtos relacionados à segurança rodoviária, além de doar bicicletas para uso em projetos de voluntariado e desenvolvimento local.

Dentro de programas como o Plano ReaccionaÉ concedida ajuda financeira específica para cobrir os custos de transporte das pessoas mais vulneráveis. Milhares de pequenas doações individuais podem fazer uma grande diferença, permitindo que alguém participe de uma entrevista de emprego, faça um curso de capacitação ou tenha acesso a serviços básicos.

Num cenário de alterações climáticas e crise energética, é necessário um modelo de mobilidade sustentável, seguro e acessível. Está se consolidando como um componente essencial de qualquer estratégia futura. Reorganizar o espaço público, fortalecer o transporte público, apoiar a mobilidade ativa e garantir que ninguém seja deixado para trás em seu direito de se locomover constituem um desafio ambicioso, mas também uma oportunidade para construir cidades e territórios mais habitáveis, saudáveis ​​e equitativos para as próximas décadas.

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